Tudo agora pertence a um imaginário de figuras. Os seres que eu consigo ver, as Almas que eu consigo tocar, As imagens e os Corpos que me restam. Tudo faz parte de coisas que eu não consigo ver.
O abrir de portas é inóspito. Percorro vários lugares até chegar ao vazio. Pedem-me Palavras, Pedem-me para que eu seja um pouco de mim. Um pouco louco, um pouco de luta pelas horas que hão-de passar. As horas em que podia estar longe, As horas em que podia satisfazer o meu Corpo e preencher a minha Alma.
As lembranças de tempos [In] úteis. A lembrança de arriscar, de fazer tudo menos o querer ser feliz. As lembranças de tempos em que prendia os meus olhos, em que prendia o meu olhar. Tudo isto já não me resta, tudo isto já pertence a um sítio que não é meu.
O poder e o querer fazer, O querer e o não deixar fazer. Um duelo de coisas sem valor, Um duelo que dura dentro de mim já há muito. Mas ainda o fazer, o deixar tudo e o dever de o fazer. Mesmo que fique sem nada, Mesmo que fique sozinho por entre a escuridão, Tenho que o fazer. Porque se não o fazer não me juntarei aos seres felizes, Nem me tornarei, nem deixarei quem quer ser feliz.
E depois o Encontro…
Depois de ter estado tão perto, Depois de ter tocado o fruto proibido, Depois de ter ido ao Verde dos Campos e voltado, Depois de ter feito tudo e não ter feito nada. Recordo-me que já fui gente, Apesar de não ter tido o tempo e a raiz suficiente. Mas depois do tudo e depois do nada, Recordo-me do momento, Da Força que fiz naquele momento. Do Poder que fiz para que aquele momento nunca acabasse. Mas naquele momento, Deus não quis que eu fosse e que deixa-se o Ser Feliz.
O Regresso…
[Não é nenhuma manhã de Nevoeiro, Nem eu sou um Rei que partiu para a Guerra.]
Depois do Tempo ter passado, Depois das Palavras terem acabado, Decidi que o voltar a falar era o ideal. Se o tempo já tinha passado, se a Esperança já tinha passado então era o melhor a fazer Regressar ás Palavras, Regressar ao sentido do destino dos actos. Voltar a sorrir e a Olhar para quem me tirou de mim e me deu um Momento de Vida em Mim.
O Sonho, a velha espada que se lembra. Mais alguém, há mais alguém?
A noite nasce, a noite cresce, Já reconheço ao longe o perfume da tua voz. Olho para dentro dos teus olhos, belo Amor, bela Alma.
Por onde ficam os Corpos a procurar a sede, Por onde passam as coisas, as gentes, os seres. Por onde fica o chão a alastrar debaixo dos meus pés, Por onde fica o perdão e o olhar da procura.
Não tenhas medo de olhar, de sorrir, de falar, de um comportamento inesperado Não tenhas medo do meu ser Não tenhas medo de começar de novo.
Aproxima-te, levanta o teu olhar do chão Faz regressar o teu Ser mas não o teu Corpo, Apenas te peço que passes por mim e [não] deites uma lágrima.
Hoje de manhã saí muito cedo, Por ter acordado ainda mais cedo E não ter nada que quisesse fazer...
Não sabia por caminho tomar Mas o vento soprava forte, varria para um lado, E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.
Assim tem sido sempre a minha vida, E assim quero que possa ser sempre Vou onde o vento me leva e não me Sinto pensar.
Sou um guardador de Rebanhos O Rebanho é os meus pensamentos E os meus pensamentos são sensações. Penso com os olhos e com os ouvidos E com as mãos e os pés E com o nariz e a boca.
Pensar numa flôr é vê-la e cheirá-la E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
Por isso quando num dia de calor Me sinto triste de gozá-lo tanto, E me deito ao comprido na erva, E fecho os olhos quentes, Sinto todo o meu ser deitado na Realidade, Sei da verdade e sou feliz.