Tudo agora pertence a um imaginário de figuras.
Os seres que eu consigo ver, as Almas que eu consigo tocar,
As imagens e os Corpos que me restam.
Tudo faz parte de coisas que eu não consigo ver.
O abrir de portas é inóspito.
Percorro vários lugares até chegar ao vazio.
Pedem-me Palavras, Pedem-me para que eu seja um pouco de mim.
Um pouco louco, um pouco de luta pelas horas que hão-de passar.
As horas em que podia estar longe,
As horas em que podia satisfazer o meu Corpo e preencher a minha Alma.
As lembranças de tempos [In] úteis.
A lembrança de arriscar, de fazer tudo menos o querer ser feliz.
As lembranças de tempos em que prendia os meus olhos, em que prendia o meu olhar.
Tudo isto já não me resta, tudo isto já pertence a um sítio que não é meu.
O poder e o querer fazer,
O querer e o não deixar fazer.
Um duelo de coisas sem valor,
Um duelo que dura dentro de mim já há muito.
Mas ainda o fazer, o deixar tudo e o dever de o fazer.
Mesmo que fique sem nada,
Mesmo que fique sozinho por entre a escuridão,
Tenho que o fazer.
Porque se não o fazer não me juntarei aos seres felizes,
Nem me tornarei, nem deixarei quem quer ser feliz.
E depois o Encontro…
Depois de ter estado tão perto,
Depois de ter tocado o fruto proibido,
Depois de ter ido ao Verde dos Campos e voltado,
Depois de ter feito tudo e não ter feito nada.
Recordo-me que já fui gente,
Apesar de não ter tido o tempo e a raiz suficiente.
Mas depois do tudo e depois do nada,
Recordo-me do momento,
Da Força que fiz naquele momento.
Do Poder que fiz para que aquele momento nunca acabasse.
Mas naquele momento,
Deus não quis que eu fosse e que deixa-se o Ser Feliz.
O Regresso…
[Não é nenhuma manhã de Nevoeiro,
Nem eu sou um Rei que partiu para a Guerra.]
Depois do Tempo ter passado,
Depois das Palavras terem acabado,
Decidi que o voltar a falar era o ideal.
Se o tempo já tinha passado, se a Esperança já tinha passado então era o melhor a fazer
Regressar ás Palavras, Regressar ao sentido do destino dos actos.
Voltar a sorrir e a Olhar para quem me tirou de mim e me deu um Momento de Vida em Mim.
sábado, 23 de fevereiro de 2008
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
O Sonho, a velha espada que se lembra.
Mais alguém, há mais alguém?
A noite nasce, a noite cresce,
Já reconheço ao longe o perfume da tua voz.
Olho para dentro dos teus olhos, belo Amor, bela Alma.
Por onde ficam os Corpos a procurar a sede,
Por onde passam as coisas, as gentes, os seres.
Por onde fica o chão a alastrar debaixo dos meus pés,
Por onde fica o perdão e o olhar da procura.
Não tenhas medo de olhar, de sorrir, de falar, de um comportamento inesperado
Não tenhas medo do meu ser
Não tenhas medo de começar de novo.
Aproxima-te, levanta o teu olhar do chão
Faz regressar o teu Ser mas não o teu Corpo,
Apenas te peço que passes por mim e [não] deites uma lágrima.
Mais alguém, há mais alguém?
A noite nasce, a noite cresce,
Já reconheço ao longe o perfume da tua voz.
Olho para dentro dos teus olhos, belo Amor, bela Alma.
Por onde ficam os Corpos a procurar a sede,
Por onde passam as coisas, as gentes, os seres.
Por onde fica o chão a alastrar debaixo dos meus pés,
Por onde fica o perdão e o olhar da procura.
Não tenhas medo de olhar, de sorrir, de falar, de um comportamento inesperado
Não tenhas medo do meu ser
Não tenhas medo de começar de novo.
Aproxima-te, levanta o teu olhar do chão
Faz regressar o teu Ser mas não o teu Corpo,
Apenas te peço que passes por mim e [não] deites uma lágrima.
Hoje de manhã saí muito cedo,
Por ter acordado ainda mais cedo
E não ter nada que quisesse fazer...
Não sabia por caminho tomar
Mas o vento soprava forte, varria para um lado,
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.
Assim tem sido sempre a minha vida,
E assim quero que possa ser sempre
Vou onde o vento me leva e não me
Sinto pensar.
Alberto Caeiro
Por ter acordado ainda mais cedo
E não ter nada que quisesse fazer...
Não sabia por caminho tomar
Mas o vento soprava forte, varria para um lado,
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.
Assim tem sido sempre a minha vida,
E assim quero que possa ser sempre
Vou onde o vento me leva e não me
Sinto pensar.
Alberto Caeiro
Sou um guardador de Rebanhos
Sou um guardador de Rebanhos
O Rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar numa flôr é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu ser deitado na Realidade,
Sei da verdade e sou feliz.
Alberto Caeiro
O Rebanho é os meus pensamentos
E os meus pensamentos são sensações.
Penso com os olhos e com os ouvidos
E com as mãos e os pés
E com o nariz e a boca.
Pensar numa flôr é vê-la e cheirá-la
E comer um fruto é saber-lhe o sentido.
Por isso quando num dia de calor
Me sinto triste de gozá-lo tanto,
E me deito ao comprido na erva,
E fecho os olhos quentes,
Sinto todo o meu ser deitado na Realidade,
Sei da verdade e sou feliz.
Alberto Caeiro
sábado, 8 de setembro de 2007
Como se não houvesse sitio para onde ir
Fico imune á tua beleza, quando passas por mim na rua
Na rua que acolhe os meus passos
Na rua onde me torno vagabundo e pobre.
Já sinto saudades da casa, da casa que não é minha,
Da cama que dava hábito ao meu corpo.
Já sinto saudades dos sonhos,
Dos meus sonhos que se transformavam em ares quentes que em mim prenoitam.
Já sinto saudade do Amor,
Das pétalas das flores a descerem sobre nós.
A noite cresce,
Fica tão grande quanto a Lua,
Fica gélida mas um pouco menos fria,
E os meus desejos aumentam
Ficam tão grandes quanto o Sol.
Imagino-te nua, na minha cama
Na minha cama onde todas as noites me deito,
Onde o meu corpo tem sede e fome de outros corpos.
Imagino-te nua, sem roupa, sem nada a cobrir o teu belo corpo,
Imagino-te sozinha, sem sitio para onde ires.
Novo dia nasce...
Novo sol se ergue...
Fico imune á tua beleza, quando passas por mim na rua
Na rua que acolhe os meus passos
Na rua onde me torno vagabundo e pobre.
Já sinto saudades da casa, da casa que não é minha,
Da cama que dava hábito ao meu corpo.
Já sinto saudades dos sonhos,
Dos meus sonhos que se transformavam em ares quentes que em mim prenoitam.
Já sinto saudade do Amor,
Das pétalas das flores a descerem sobre nós.
A noite cresce,
Fica tão grande quanto a Lua,
Fica gélida mas um pouco menos fria,
E os meus desejos aumentam
Ficam tão grandes quanto o Sol.
Imagino-te nua, na minha cama
Na minha cama onde todas as noites me deito,
Onde o meu corpo tem sede e fome de outros corpos.
Imagino-te nua, sem roupa, sem nada a cobrir o teu belo corpo,
Imagino-te sozinha, sem sitio para onde ires.
Novo dia nasce...
Novo sol se ergue...
quinta-feira, 30 de agosto de 2007
Poema
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
Mário Cesariny
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
Mário Cesariny
Assinar:
Postagens (Atom)
